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Media & Jornalismo nº 7 - Comunicação Política

Media & Jornalismo nº 7 - Comunicação PolíticaEditorial Este número de Media & Jornalismo é inteiramente dedicado à comunicação política. A sua publicação coincide com um período em que a sociedade portuguesa se prepara para escolher o seu mais alto representante na chefia do Estado, o Presidente da República, cuja eleição terá lugar no início de 2006, após ter sido chamada a escolher os seus representantes locais. A comunicação política, o papel dos media e do jornalismo na cobertura da actividade política e, em especial, das campanhas eleitorais, encontram-se amplamente estudados nos Estados Unidos e na Europa, começando a sê-lo, também em Portugal. Este número proporciona uma visão sobre alguns aspectos marcantes da investigação internacional nessa matéria, apresentando alguns resultados empíricos relativos a Portugal. A abrir este número, e num plano mais abrangente de problemáticas relacionadas com a relação entre o poder político e os media noticiosos, o texto dos investigadores norte-americanos W. Lance Bennett, Regina G. Lawrence e Steven Livingston, analisa a maneira como o Washington Post e outros grandes media nos EUA trataram a situação dos presos iraquianos detidos em Abu Ghraib, demonstrando que esses media suavizaram a acção dos militares norte-americanos, usando o enquadramento “abuso” em vez do enquadramento “tortura”, acompanhando assim a versão das autoridades oficiais. Na sequência de trabalhos anteriores sobre a guerra do Iraque, Bennett e os seus colegas mostram, uma vez mais, o peso das fontes oficiais na cobertura da actividade política nacional e internacional. O texto do investigador holandês, Kees Brant, questiona as posições que sustentam que a comercialização e a competição no audiovisual conduzem a uma diminuição da qualidade da informação política e ao enfraquecimento da democracia. O autor procede a uma revisão da investigação sobre a cobertura política da informação televisiva num conjunto de países do norte da Europa, a que junta um projecto de pesquisa inédito sobre a cobertura das eleições nos Países Baixos, concluindo que a alegada invasão do infotainment na cobertura de eleições não possui sustentação empírica. Em Portugal, Estrela Serrano compara os padrões jornalísticos usados pela televisão pública e pelos canais privados na cobertura da campanha de 2001, para a eleição do Presidente da República. O artigo parte da expectativa de que o canal público constitui uma alternativa aos canais comerciais, submetidos à tirania das audiências para obtenção de lucro. Contudo, a análise não revela diferenças significativas entre os três canais. O artigo de Susana Salgado mostra como, noutros tempos, se realizava a mediação e como os governantes comunicavam com os seus governados. O objectivo é tentar compreender as actuais relações entre media e política com a ajuda do conhecimento do passado. Acompanhando a discussão de alguns autores acerca da intencionalidade das manifestações de poder, a autora defende a ideia de que a construção da imagem dos líderes políticos não acontece apenas nos nossos dias e que o recurso aos media sempre foi uma forma privilegiada de transmitir imagens e mensagens políticas. O artigo das investigadoras brasileiras Luísa Luna e Rousiley Maia analisa a imagem mediática de Lula nas campanhas eleitorais de 1989 e de 2002, veiculada pelos tempos de antena do candidato, problematizando os recursos para a constituição e administração de sua imagem. As autoras debruçam-se, em especial, sobre as propostas apresentadas pelo PT de Lula, para “tematizar a mudança” do candidato na campanha de 2002 e justificá-la e/ou validá-la no campo de disputa de sentidos presente nos media. A encerrar os artigos deste número da Revista surge, na rubrica Ensaio, um texto de Serge Tisseron em que o autor analisa o telejornal enquanto dispositivo em que os jornalistas procuram, subconscientemente, convencer os seus espectadores de que eles, jornalistas, controlam os ameaçadores acontecimentos que relatam. Numa perspectiva psicanalítica, Tisseron sustenta que o apresentador do telejornal se pauta pelo desejo de dominar a informação e de convencer o público do seu poder. Exemplos retirados de telejornais da televisão francesa são usados para sustentar esta tese. Recensões sobre obras recentes relacionadas com o tema central da revista encerram o número oito de Media & Jornalismo. A Direcção

 

Artigos
[ensaio] A informação na televisão: dominar imaginariamente o mundo e convencer simbolicamente do seu poder , Serge Tisseron
         

A campanha eleitoral de 2001 na televisão, revisitada: análise comparada do serviço público e dos canais privados, Estrela Serrano
         

A construção da imagem pública e a disputa de sentidos na mísia: Lula em dois momentos , Luísa Luna e Rousiley Maia
         

Evitar a palavra tortura. Os media norte-americanos e o enquadramento político de Abu Ghraib , W. Lance Bennett
         

Quem tem medo do infotainment?, Kees Brant
         

Recensões
António Albino Canelas Rubim (Org.) (2005) Comunicação e Política: Conceitos e Abordagens, João Carlos Correia

Stuart Allan, (Ed.). (2005). Journalism: Critical issues, Cristina Ponte
         

Wilson Gomes (2004) Transformações da política na era da comunicação de massa, João Carlos Correia
         

© Centro de Investigação Media e Jornalismo, 2000-2007 | última actualização: 23.11.2006