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29-09-2004

OS MEDIA EM ANÁLISE

No Público e no DN dão-se hoje informações sobre as tiragens da imprensa.

José Carlos Abrantes | 23:10 | link permanente

27-09-2004

OS MEDIA EM ANÁLISE
O texto de de ontem Joaquim Furtado, Provedor do Público referia a carta de um leitor, Acácio Barradas, carta que questionava uma notícia sobre a intervenção do ex-jornalista no Colóquio da Abril em Maio.

Deixo também o texto de Mário Mesquita
de ontem, no Público, um texto de referência para melhor compreender os “poderes” do jornalismo e dos media.
Como existia uma gralha no texto de ontem, publico aqui a versão corrigida que me foi enviada pelo autor.

Público, 26 de Setembro de 2004

Palcos de discórdia
Quando o Superman
se disfarça de Clark Kent
Mário Mesquita
O tema dos poder dos media e do jornalismo instituiu-se como uma espécie de debate permanente. Esta semana a questão recolocou-se a propósito das eleições no PS, do concurso para professores, de diversos colóquios e análises sobre o lugar da comunicação social na sociedade contemporânea. Entidades situadas à esquerda – a cooperativa Abril em Maio, animada por Eduarda Dionísio, e o “sítio Internet” de análise política denominado Resistir.info, que tem como figura de referência Miguel Urbano Rodrigues – promoveram, em Lisboa e no “eixo alentejano” entre Serpa e Moura, debates sobre “como se escolhem as notícias” e “a perversão mediática e a hegemonia das transnacionais na comunicação social” (no âmbito do colóquio Civilização ou Barbárie – os desafios do mundo contemporâneo).
A questão da concentração dos media, a nível global e nacional, esteve presente em ambos os colóquios, mas, enquanto alguns dos intervenientes na Abril em Maio destacaram a autonomia dos jornalistas e a preponderância dos critérios profissionais de construção das notícias, os participantes no colóquio de Moura - caso de Fernando Correia, jornalista e professor da Universidade Lusófona - colocaram o acento tónico estratégias ligadas à propriedade dos media.
No nosso País, a propriedade dos meios de comunicação concentra-se em cinco grandes grupos PT-Lusomundo, Impresa (Balsemão), Media Capital, Cofina e Impala. A diversidade de suportes e publicações no interior de alguns grupos, designadamente do grupo Balsemão, significa, na perspectiva de Fernando Correia, que estamos “perante estratégias comerciais dirigidas para a conquista de ‘nichos de mercado’, definidas em função não da pluralidade de opiniões mas sim da variedade de interesses, de níveis culturais e de gostos em relação a temáticas ou formatos por parte dos potenciais leitores”. Por isso, no entender do analista, a coexistência do Expresso e da Visão no mesmo grupo empresarial explica-se pela vontade de oferecer “ao público a opção entre uma newsmagazine (...) e o tradicional broadsheet (...)” e não “de proporcionar dois pontos de vista política e ideologicamente diferentes – mesmo admitindo que o Expresso está um bocado mais à direita e a Visão um bocado mais à esquerda...”.

Os meios de comunicação e o jornalismo
O poder dos media não se resume ao poder do jornalismo. Reflecte-se essencialmente num reforço do poder económico privado. Em termos de propriedade, as últimas décadas decorreram sob o signo da concentração em grandes grupos empresariais, muitos deles subordinados aquilo que os anglo-americanos designam por “interesses não mediáticos”, ou seja, a sectores económicos mais alargados do que o próprio sector da comunicação. Esta tendência para a concentração, por vezes transnacional, coexiste com a diversificação de “suportes”.
Sucede, no entanto, com frequência, que se confunde o poder mediático com o poder dos próprios profissionais de comunicação, em especial os jornalistas, mesmo se a informação jornalística está longe de ser preponderante em meios como a televisão, a rádio ou a Internet. O jornalismo é a componente dos dispositivos mediáticos que mais de perto se relaciona com a visibilidade dos actores políticos, económicos, culturais, artísticos e desportivos. As notícias transportam para os media “a parte visível do iceberg das influências sociais no comportamento humano”, sendo que, por vezes, as pessoas “não distinguem o poder dos media do poder das pessoas e dos acontecimentos que os media cobrem” (Michael Schudson).
Nem sempre podem ser atribuídas aos meios de comunicação noticiosos relações de causa e efeito com acontecimentos sociais, comportamentos, instituições ou processos. No entanto, eles são “o contexto” em que esses fenómenos ocorrem e podem ser compreendidos. Em sentido antropológico, os media são cultura – e a “cultura é a linguagem em que a acção se constitui, mais do que a causa que gera a acção” (Clifford Geertz).
As investigações sobre os jornalistas colocam geralmente em evidência que a actuação das redacções não funciona da forma como sugerem algumas “teses conspirativas”, ou seja, numa lógica de “correia de transmissão” dos interesses políticos da entidade patronal, o que não significa que tal não possa suceder em determinadas situações. A acção dos jornalistas enquadra-se no modo de funcionamento de empresas mediáticas, em modalidades diferenciadas consoante as sociedades e as empresas, mas não se reduz automaticamente a mera emanação da vontade da entidade proprietária.

Patrões e cultura profissional
O patronato designa as hierarquias das redacções tendo em conta factores de eficácia no mercado das notícias e de adequação às solicitações da tecnologia, embora se tivermos presentes certos exemplos – o australiano Murdoch ou o italiano Berlusconi, por exemplo - seja necessário considerar igualmente motivos de rigorosa confiança política e ideológica. As tendências fundamentais do comportamento dos jornalistas, pelo menos nas empresas em que a cultura profissional funciona como factor de contenção dos impulsos de intervenção política directa, ligam-se àquilo que percepcionam como factores de sucesso profissional, mas igualmente à sua condição de “classe média”, considerada por alguns autores como a principal garantia da respectiva lealdade aos valores dominantes no sistema mediático (Dennis MacQuail).
A relativa autonomia dos meios de comunicação fundamenta-se, na análise de Manuel Castells, “em interesses comerciais”, mas também se adapta perfeitamente “à ideologia da profissão e à legitimidade e respeito dos jornalistas”. A distância e a proximidade perante o poder político e económico, as estratégias empresariais e as lógicas do jornalismo são geridas, caso a caso, consoante os interesses em jogo e a necessidade de preservar a credibilidade dos receptores.
No caso do jornalismo americano, são normalmente mencionados os factores resultantes da “cultura organizacional” dos profissionais (socorro-me, ainda, da análise de Schudson): primeiro, as notícias são, em regra, estruturadas à volta de acontecimentos, acções e personagens; segundo, tendem a ser negativas; terceiro, oscilam entre o distanciamento (observar a política como um jogo…) e a ironia perante a vida política; quarto, dão relevância, sobretudo, às questões tácticas e estratégicas e desinteressam-se dos problemas de fundo; quinto, baseiam-se geralmente em fontes oficiais e em alguns especialistas.
Estas tendências não serão, porventura, universais. Em outras latitudes e longitudes, haverá, por certo, diferentes comportamentos, o que resulta do estatuto social dos jornalistas e da sua cultura profissional. Estas tendências e preconceitos redundam, com frequência, numa atitude céptica, nos melhores casos, ou cínica, nos piores, em face da participação política. O problema - acentua Schudson - não reside na falta de comportamento profissional. Está inscrito na própria lógica do profissionalismo.

O novo, o moderno e o eficaz
A escolha do secretário-geral do PS propicia uma boa “análise de caso”. Sendo estas eleições muito televisivas, talvez faça pouco sentido chamar-lhes “internas”, após uma campanha nacional em que a presença dos candidatos nos media, os comentaristas e os jornalistas foram determinantes.
Os enquadramentos escolhidos pelos jornalistas para “avaliarem” os candidatos passam, entre outros factores, pela contraposição entre “o novo” e “o velho”, “o moderno” e o “tradicional”, “o eficaz” e o “ineficaz”. Tudo o que signifique valorizar a “esquerda”, a intervenção estatal na economia ou as políticas sociais é, rapidamente, carimbado, na alfândega do comentário político, como matéria “fora de moda” ou predestinada ao insucesso.
Tal critério de avaliação reflecte, provavelmente, a confluência entre a livre actuação dos comentaristas e a orientação da empresa jornalística. Se assim for, na perspectiva dos proprietários, junta-se o útil ao agradável. Ao contrário do que supõem alguns estudiosos deslumbrados pelo saber comunicacional, o conjunto de critérios designados por “valores-notícia”, não constituí uma grelha científica para a escolha das notícias. Traduz estratégias retóricas e comerciais, mas também factores ideológicos e políticos.
Michael Schudson escreve que “os críticos olham para a imprensa e vêem o Superman quando na realidade é apenas Clark Kent”. Embora proferida por um dos mais sociólogos da comunicação, a frase parece inadequada. Talvez vise apenas enfraquecer o modelo a fim de melhor o defender. O discurso autoreferencial dos meios de comunicação social expressa-se em sentido inverso, ou seja, acentua o poder e o prestígio do mundo mediático. Se a personagem mítica do Super-homem é excessiva, enquanto símbolo do jornalismo contemporâneo, a imagem tímida e honesta do jornalista Kent é demasiado angélica para resultar convincente. A oscilação entre as duas personagens, essa sim, traduz uma certa estratégia de balanceamento entre o voo picado do poder e a seriedade do discreto trabalhador. A força do Superman mediático aumenta quando ele se disfarça e exibe apenas o cartão de visita do modesto e aplicado jornalista Clark Kent.



José Carlos Abrantes | 12:30 | link permanente

24-09-2004

A Política e os Media
Outro texto, publicado nesta semana, no Domingo, sobre as relações entre a política e a televisão merece atenção. Trata-se do texto de Mário Mesquita , A Televisão dentro do PS. Para Mário Mesquita o PS transformou a SIC Notícias no seu militante orgânico número um.

José Carlos Abrantes | 12:06 | link permanente

23-09-2004

A política e os media
O texto de José Pacheco Pereira no Público de hoje é uma reflexão sobre o actual momento político vivido no interior do Partido Social Democrata e no Partido Socialista. JPP insere algumas reflexões interessantes sobre o modo como os media ajudam na tomada de conscência cívica, ou como alguns destes se tornam meros transmissores de recados políticos ou, como ainda, o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa incomoda o actual momento de unanimismo que alguns, no PSD, prezam acima de tudo.

José Carlos Abrantes | 22:03 | link permanente

22-09-2004

ERROS e DESCULPAS
Mais um jornalista, Dan Rather, da CBS foi enganado por uma fonte ao que tudo indica, levando a estação ao pedido público de desculpas. Nos EUA os erros acumulam-se, são denunciados e levam a críticas internas e a posições públicos. Melhor do que isto só mesmo evitar cometer os erros. Mas onde está o mundo sem erros? Existe sim, sem crítica nem desculpas. O que é bem pior.

José Carlos Abrantes | 13:21 | link permanente

17-09-2004

Jornal Gratuito
Segundo notícias de hoje (Público) a Media Capital vai fazer sair um jornal com distribuição gratuita intitulado Metro, que será distribuído nas cidades portuguesas que já têm metropolitano.
Uma boa notícia que porá mais gente a ler!

José Carlos Abrantes | 17:49 | link permanente

Blogs
Vale apena ler o texto de Pacheco Pereira sobre os blogs. Tenho ideia que o blog do CIMJ começou antes de Pacheco Pereira se tornar bloggista.

José Carlos Abrantes | 00:02 | link permanente

15-09-2004

Discutir o jornalismo na Livraria Almedina
Mais um local de reflexão sobre o jornalismo abriu na Livraria Almedina, em Lisboa. Eis o programa que me foi enviado por Paula Lopes.

Ciclo COMUNICAÇÃO: Discutir o jornalismo
Organização: Filipa Melo e Almedina


Jornalismo e Cidadania
1 DE OUTUBRO, 18:00
Com Carlos Cáceres Monteiro (director “Visão”), Manuel João Ramos (antropólogo, Associação Portuguesa Cidadãos Automobilizados) e Manuel Acácio (jornalista “Fórum” TSF).

Os media portugueses como esfera de participação da cidadania. Como intervêm os cidadãos nos media portugueses? Com que mediação? Como se exterioriza e dá a conhecer a opinião pública nos media? Que relação entre os discursos informativos e a formação de opinião? Serão os media um espaço de incentivo da prática da cidadania e de democratização da produção de opinião?

Jornalismo e Saúde
19 DE NOVEMBRO, 18:00
Com Constantino Saklarides (Escola Nacional de Saúde Pública, Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde), Leonor Figueiredo (jornalista “Diário de Notícias”), Isabel Galriça Neto (médica cuidados paliativos, Centro de Saúde de Odivelas), José Manuel Boavida (Director clínico Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal).

Como se veiculam em Portugal as notícias de saúde? Com que efeitos na comunidade médica e social? Por jornalistas com que formação e que critérios de selecção de informação? Qual a ligação entre os jornalistas e os profissionais de saúde? Como se gere a comunicação nos casos de saúde pública? Quais as lacunas e os limites da informação em saúde?


Jornalismo e Literatura – Os Livros nos Media
17 DE DEZEMBRO, 18:00
Com João Rodrigues (editor, Publicações Dom Quixote), Alexandra Lucas Coelho (jornalista “Público”), Joaquim Figueira Mestre (director Biblioteca de Beja) e Tereza Coelho (Directora "Os Meus Livros").

Que espaços existem para os livros e a literatura nos meios de comunicação social portugueses? Quais as relações entre os jornalistas e o meio editorial? Jornalismo de divulgação ou crítica literária? Que recepção por parte dos leitores? Como se formam novos públicos para os livros?

Livraria Almedina Atrium Saldanha, loja 71 – 2º piso

José Carlos Abrantes | 00:30 | link permanente

14-09-2004

A ABRIL EM MAIO e as notícias
COMO SE ESCOLHEM AS NOTÍCIAS
mesas-redondas, conversas, debates
 

 
Em Julho fez-se na Abril em Maio uma conversa sobre informação, a propósito do livro de Pedro Sousa, “A dramatizacão na imprensa do PREC”. Depressa se veio parar ao presente. Sugestão a partir das questões postas no debate: outra conversa, agora sobre “como se escolhem as notícias”.
Como de coisas nascem coisas, pusemos-nos, com boas ajudas, a imaginar estes três dias de sessões, não “académicas” nem “corporativas”, com “fabricantes”, “estudiosos” e “simples leitores”, destinadas a gente sábia ou não sábia, mas preocupada.
Por exemplo, com o que sabe e não sabe, com o que lhe dizem e não dizem, e o porquê. 
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SEXTA 17 SETEMBRO 22H
 
INFORMAÇÃO E MEMÓRIA
Os 30 anos do 25 de Abril
no Jornal de Notícias
Intervenção de Mário Mesquita
comentada por António José Teixeira, Cátia Salgueiro, Fernando Catroga
 
SÁBADO 18 SETEMBRO 15H
 
A ESCOLHA DAS NOTÍCIAS NA POLÍTICA
mesa-redonda com
Diego Palacios, Estrela Serrano, João Mesquita, Nuno Pacheco
SÁBADO 18 SETEMBRO 17H
 
A ESCOLHA DAS NOTÍCIAS NA CULTURA
mesa-redonda com
Augusto M. Seabra*, Francisco Belard, João Paulo Cotrim, Sandy Gageiro, Vítor Silva Tavares
SÁBADO 18 SETEMBRO 19H
 
A ESCOLHA DAS NOTÍCIAS NA SOCIEDADE
mesa-redonda com
Ana Margarida Carvalho, Leonor Figueiredo, Rui Canário

DOMINGO 19 SETEMBRO 16H
 
COMO SE ESCOLHEM ENTÃO AS NOTÍCIAS
debate com participantes dos dias anteriores e
Acácio Barradas, Adelino Gomes*, Cristina Ponte, Jorge Silva Melo, José Mário Silva

José Carlos Abrantes | 12:51 | link permanente

© Centro de Investigação Media e Jornalismo, 2000-2006 | última actualização: 20.04.2006